quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Olhando a Vida

Lembro com perfeição do dia em que Bella e eu soubemos que ela estava grávida: o desespero e o medo de perdê-la. Foi só nisso que pensei a princípio. Mas depois a idéia surreal de um filho despertou um sentimento totalmente novo em mim, que durou até o momento de vê-la se desfazendo diante dos meus olhos a cada osso quebrado. Porém assim que ouvi os pensamentos daquela coisinha ali dentro, soube o que sentia. Quando vi em sua mente o amor que tinha por sua mãe e até por mim, não tive mais como conter meu amor.
Os momentos de seu nascimento foram muito duros pra mim, mas no instante em que a tive em meus braços me apaixonei. Passamos três dias juntos, os três, enquanto Bella dormia. E foi nesse tempo que tentei recuperar sua confiança depois de tê-la desprezado tantas vezes pra manter sua mãe viva ao meu lado. Isto era apenas coisa da minha consciência, é claro. Ela nunca se sentira assim, foi amada por todos sempre. E aquele bebê que crescia numa velocidade incrível, na mesma proporção enfeitiçava a todos nós. Era linda e eu não sabia que podia amar tanto. O selo, o desfecho do amor mais imenso que já senti por alguém – o amor que eu sentia por sua mãe. Ela completava tudo! Se um dia Bella me fez sentir humano novamente, Rennesme trouxe isso para todos os dias. Vê-la crescer, aprender a caminhar, a perceber a força que tinha e dar a mão como apoio, nada era mais humano do que ser pai daquela doce menininha. E sempre ao olhá-la eu me maravilhava com tudo que a vida me deu: uma mulher que me trouxe de volta a vida e ela, a vida que eu ajudei a trazer. Eu não teria imaginado nada mais perfeito, aliás, jamais poderia, antes de Bella, imaginar que merecia algo de bom.
E agora aqui estou olhando para minha filha enquanto dorme. Como fiz tantas noites, mas hoje é especial. É extremamente difícil olhar e não ver minha garotinha. Qualquer um que olhasse agora veria um casal de adolescentes deitados e nunca iriam supor tratar-se de pai e filha, mas eu sei o que ela é, o meu bebê. Encarar que ela cresceu é a coisa mais dolorosa que tenho enfrentado nos últimos tempos, e aceitar tudo que essa maturidade trouxe é tão difícil quanto. Amanhã ela irá se casar. Sim, com aquele que um dia quis se casar com minha esposa. Jacob Black, meu irmão, que tantas vezes provou seu valor e amizade por nossa família, agora será meu genro. Não existiria ninguém melhor pra esse papel, nenhum outro daria a ela exatamente o que precisa, mas ainda assim soa estranho ver minha criança se tornando adulta diante de meus olhos, e ali estava eu querendo reter cada segundo que ainda restava antes que ela partisse. Porém minha presença a fez despertar e me ver ali parado ao seu lado.
- O que faz aqui papai?
- Me despedindo, aproveitando o tempo que ainda tenho com minha princesa.
- Eu sempre estarei aqui papai, não se preocupe o laço que nos une é tão eterno quanto nós dois.
E mais uma vez ela trouxe minha humanidade, quando o nó em minha garganta confirmou a lágrima que não rolaria.

Texto meu publicado pelo Foforks no 3 Ciclo de Foforfiks de Leitores, realizado em Agosto de 2011.
Foram 64 participantes e este ficou em oitavo lugar com 810 votos.

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