Há alguma coisa errada quando a fantasia é tão atraente. Quando você passa tanta horas lá dentro que as coisas do mundo aqui fora precisam ser feitas no tempo que resta, e se restar.
Quando estar aqui fora é contar o tempo pra voltar, tudo parece mais bonito e dinâmico lá.
É preciso lembrar que a fantasia só tem tanto brilho porque existe o real pra comparar, e que é daqui que nascem as aspirações e os anseios que fazem ela ser tão fascinante.
Só que o bacana da realidade é a que quando estamos aqui fora isso pode ser visto com clareza, e há uma teoria racional que nos obriga a acreditar que o saudável é estar aqui, é ter a fantasia apenas como uma utopia, como objetivo, uma ferramenta. A mola por assim dizer.
Só que quando estamos dentro tudo é tão mais simples e leve que é tentador se entregar ao efeito tóxico alucinante dela, deixar de pensar, de analisar, de racionalizar, é muito mais fácil viver assim.
Indo lá dá pra entender os tantos meios de rejeição da realidade, como os que a própria mente cria, ou transes religiosos, exercícios de meditação, ou até efeitos alucinógenos causados por substâncias,livros e filmes, tudo pra se manter o mais seguro e confortável possível lá, e por mais tempo.
Fuga da realidade, é isso. E isso acontece quando a realidade não é tão boa quanto costumava ser.
E o pior dessa fuga é quando ela acontece acordada, quando todos os seus sentidos sabem exatamente pra onde e porque estão indo.
Quando há plena consciência e não há distúrbio, ou droga a que se possa culpar.
É aí, quando vc enxerga tudo isso que a realidade fica ainda mais difícil, ela se torna o último lugar onde vc quer estar.
E infelizmente se vc consegue ver tudo isso, consegue constatar em que canto da fantasia quer se refugiar e entende muito bem o porque. O que só torna o caminho de volta muito, muito mais doloroso, enquanto vc ainda consegue percorrer. Porque sim, haverá um momento em que voltar será impossível, o ser humano não consegue se impingir dor com tanta intensidade por mt tempo, logo em algum momento o sacrifício de voltar será o fim. Não o fim das dores,mas o fim do caminho, porque como disse, sem ter a realidade como parâmetro a fantasia fica oca e perde seu efeito entorpecente. Você vai apenas gravitar em torno da vida.
Então talvez o equilíbrio esteja em conseguir trilhar o caminho, o ciclo como sempre dando sentido as coisas, pensar a vida de maneira que ela te leve a desejar o imaginário, a passar um tempo lá, porém voltar sempre, querer voltar pra ver o que de novo há aqui.
Sim, AQUI. Estou tentando ficar aqui agora, pelo menos por hora, embora eu saiba bem que minhas incursões pra lá tem minado meu desejo de voltar, estou tentando.
Tenho estado com vampiros tempo demais, e em clips de canções que eu queria compor, ou só cantar, em cidadezinhas e lugares idílicos com pessoas idílicas...Em outros países, outras línguas, vivendo outras vidas, vidas muito mais interessantes...
Agora estou aqui, exatamente em cima da linha. Racionalizando a fuga, mas falando com pessoas que não existem.
Indo e voltando a todo momento, tentando fazer com que este percurso me ajude a ser a pessoa, e que este seja o lugar interessante onde a minha mente tem me levado, e sinceramente fazer isso dói, mas eu to tentando...
segunda-feira, 20 de junho de 2011
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