quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Que será?

Será que um dia teremos as respostas?
A esperança que eu tenho as vezes me parece tão vã. Tão sem fundamento.
Busco respostas, mas a fé me dá algumas que não me parecem racionais e por isso me debato tanto para engolí-las.
Mas a fé de quem?
A minha fé deve estar inteligada a minha razão, e por isso no momento há uma explosão conflituosa em mim.
Uma morte. A morte de um menino. Sim, um menino de 18 anos. Não muito próximo, mas devido a dor que essa perda causou a alguns queridos ela me chamou a atenção.
E parando pra analisar e ouvir as histórias choquei-me ainda mais.
Com esta, seria a 7º morte por assassinato nesta família, uma dor já insuportável.
Um menino com sonhos e planos, mas que talvez enquanto estava vivo não se destacasse por eles.
Era apenas mais um.
Mas por ele, eu me fiz algumas perguntas a Deus.
Para nós que nos dizemos cristãos, que professamos a fé em Cristo e em seu sacrifício, e que dia após dia ouvimos falar superficialmente de salvação em nossas igrejas, temos sempre pensado que basta neste mundo fazermos uma opção, a de estar ao lado deste Cristo e de aceitar seu sacrifício para estar tranquilos quanto a morte, pensando nela apenas como um estado transitório. E com isso milhares de pessoas vem se conformando com suas vidas injustas e miseráveis, vem sendo enganadas, mas com a certeza de que um dia viverão plenamente ao lado de seu Salvador.
E quando uma pessoa como este menino morre, teoricamente sem sua salvação, nossa mente já automaticamente o leva pro "inferno".
Eu tenho algumas objeções a isso.
Aliás eu tenho muitas e esse é o meu dilema hoje.
Vivo professando uma fé que não é a minha.
Tenho vivido um evangelho dentro de mim muito diferente do da minha igreja, dos cristãos ou melhor, dos "crentes".
Pra começar queria muito que Deus me dissesse qual é o plano.
Por que criar alguém pra ser eterno e de repente fazer com que ele decida se quer ou não ser eterno?
Por que uma coisa dessa é decida de forma tão limitada, como um passe de mágica. Se eu aceito a Jesus eu vou pro céu, se não aceito não vou?
Por que? Por que o céu é Dele e só entra lá quem o aceita? Não acho q é assim tão egoísta.
E quem não chegou a conhecê-lo? Perdeu a chance?
E quem conheceu, mas ainda tava decidindo quando morreu, não tem mais chance?
E se de repente ele ainda fosse fazê-lo mais foi impedido por esta bala?
Se pararmos pra pensar todo ser humano em algum momento é transpassado por uma bala. Algo que em algum momento o faz parar, e o impede de ir para o lado certo.
Muitos conseguem ir, independente dela, porque não foi fatal.
Mas e aqueles pra quem não existe mais tempo?
Aqueles para os quais a fome, a solidão, o medo, a violência, o desamor causaram um dano tão profundo quanto permanente, que já não lhes é possível, voltar atrás e aceitar a Jesus, esses perderão sua chance?
Esses não tem mais o mesmo direito que eu de retornar ao plano inicial, de viver eternamente uma vida plena?
Aquela vida que é tão reconfortante e recompensadora que tem muitas pessoas passando o diabo aqui, só esperando por ela. Aquela que faz os crentes cantarem que estão passando pela prova dando glória a Deus, aquele futuro tão bom que vale a pena sofrer agora.
Pra mim tem duas coisas que não se encaixam bem nessa história.
Por que essa vida tão boa fica pra depois? Por que o vinho bom servido no final?
Acredito que a idéia era que a vida fosse boa sempre, desde que nascemos até a nossa morte, que no plano inicial talvez não existisse. Nós nos afastamos tanto dele que resolvemos jogar pra frente, nossa esperança está onde nossos olhos não veêm. É consolo acreditar que é no futuro que o melhor está preparado.
Porém isso me dói muito, queria que nós cristãos, ao menos nós, conseguissemos entender que as coisas não são desse jeito, pra a partir da nossa compreensão, pararmos de vender esse peixe podre que vendemos. Que faz com que as pessoas carreguem pesos atoa, que vivam uma vida infeliz hoje sonhando apenas com uma boa futura.
Que parássemos de fazer isso com nós mesmos, mas principalmente com aqueles que não conseguem aceitar isso. Aqueles que acreditaram porque nós dissemos que isso é viver o plano de Deus e sendo ele só isso preferem ficar de fora. Vivendo seu hoje da melhor maneira que podem, pra não contar apenas de ser feliz um dia, quando morrerem, por que isso é muito pouco. E é muito vago, é dificil mesmo de acreditar quando se vive no mundo real, o paupável.
Eu sinceramente nunca entendi o que Deus pretende, o que será de fato de nós, mas tenho colocado minha vida em Suas mãos, e tem valido a pena, mas não pq vivo a espera do amanhã perfeito, mas porque ainda hoje tenho sentido o acalento de Sua presença quando estou triste, porque me maravilho com sua bondade, misericórdia e compreensão, e com todas as coisas belas que pela fé fui convencida que são obras Dele. Porque tenho vivido com ele momentos de simplicidade que me fazem amá-lo e amar viver esta vida, esta de hoje, esta que é paupável, esta que se vislumbra pra mim pessoalmente, em pessoas, em família, em amigos, em bons sentimentos, em alegrias bobas, em natureza. E se algum dia ele tiver algo além disso pra me dar, vou agradecer, mas por hora posso dizer que se apenas eu pudesse ver as pessoas ao meu redor vivendo esse sentimento com eu o vivo, e juntos pudessemos hoje, nesta terra viver aquele sentimento utópico de amor comum, se pudesse ter passado por aqui sabendo que meninos como este que morreu viveram isso, e que não foi o desamor de alguém que o fez partir, eu poderia fechar meus olhos um dia sem ambicionar viver nada mais.
Não quero pensar no que será depois, mas seja o que for, não acho justo que eu tenha mais direito a isso porque talvez minha fé seja mais latente, ou porque minha vida foi mais fácil e tive menos motivos pra me enrijecer e fechar.
Acho que Deus nos ama da mesma maneira, e assim como existem pais que tem filhos mais abertos, mais expansivos e facéis de conversar, e aqueles que são fechados, duros, de mais difícil acesso, mas nem por isso os deixam de lado. Deus o maior pai, o dono do maior amor, não seria inferior aos homens em compaixão e compreensão com os seus.
Por fim, não sei o que será, pra onde irei, se é justo ou não (sim porque tem crente que acha que se o "ímpio" não aceitou ele tem mais é que ir por inferno, é injusto ele que foi bonzinho ir pro mesmo céu que o outro que foi mal,que passou os domingos indo tomar chopp e não pra igreja. Não sei, acho que é medo de ficar superlotado. Talvez se não se forçasse tanto pra ser bom, se fosse simplesmente espontâneo não teria aquele sentimento de ter sido lezado, de não ter comido a mulher do outro pra poder ir pro céu e agora aquele comeu ir tb).
Mas independente de qualquer coisa da justiça de Deus, da nossa, dos planos, do que está por vir. Se houver alguma continuidade, gostaria de ser informada que você também está lá. Já que sua oportunidade de ser feliz aqui foi tirada precipitadamente. A sua e a de tantos outros. Bons e maus, apenas filhos, imaturos, que não sabem o que fazem...

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