Hoje, o que pode parecer para uns, apenas um momento consumista desenfreado, e em parte o foi, me serviu para fazer algumas avaliações.
Liquidação. Pra maioria das mulheres uma espécie de febre, algo que faz com que não se controlem, não se limitem, ajam impulsivamente, de maneira que na maioria das vezes se arrependam de seus excessos. E para quase todos os homens, um mistério, algo que os intriga, alguns até desejam descobrir como preços menores, tem uma influência tão grande no estado emocional de muitas delas.
Eu, depois de ter economizado um bom dinheiro comprando algumas pecinhas, - mais baratas do que seriam quando foram às vitrines - e feliz por isso claro, observei uma liquidação como uma ilustração pra uma situação cotidiana um tanto chata, a "guerra da aparência".
E espero com este texto me fazer entender nessa comparação.
Sim, a aparência. E quando digo isso estou falando sim das questões físicas, de corpo, do que é externo mesmo. Mas principalmente é claro do que está por trás disso.
No tocante ao físico, já vimos e ouvimos milhares de situações que tratam das lutas pelo corpo ideal, pelo rosto perfeito, do quanto isso pode se tornar obsessivo e prejudicial à saúde. Como pessoas que ambicionam uma aprovação por motivos estéticos de alguém ou de si mesmo e por isso vão a extremos que por vezes beiram a insanidade, e que deixam seqüelas emocionais enormes. Obviamente este tipo de distúrbio está diretamente ligado desde cedo as questões como antes dissemos, emocionais. Quando a simples busca por uma vida mais saudável ou a satisfação pessoal, se transforma em autoflagelo. Exemplo disso, temos casos de bulimia, anorexia, e de homens e mulheres que tem suas aparências totalmente transformadas devido ao número de intervenções cirúrgicas a que se submetem, no intento de se sentirem mais bonitos, ou de demonstrarem-se ainda mais belos.
E nesse ínterim, nossa pergunta é: O que de fato importa mais? Ser ou parecer?
Quando buscamos um cabelo mais tratado, uma pele mais saudável, um corpo mais esbelto, estamos apenas com o interesse de nos satisfazer e voltar a entrar naquela velha calça jeans, de não ter mais essa ou aquela espinha aparecendo? Pra mim o ponto chave é conhecer as nossas motivações a todas as coisas. E é isso que determina se elas valem ou não a pena.
Ontem antes de dormir eu senti um desejo de voltar a caber mesmo dentro de uma velha calça jeans, e admito que pra mim a luta contra a balança esteja pendendo pro lado dela. Mas isso embora sempre tenha sido uma reclamação minha, e por mais que até me chateasse ainda não tinha chegado ao ponto de me mover.
E hoje, depois de perceber que tenho me sentindo com um cansaço interminável e com uma terrível sensação de ociosidade resolvi que é hora de agir. No entanto, sei que estou hoje com 26 anos e não voltarei a vestir 36, pois minha vida é outra, minha rotina é outra e meu corpo não poderia também deixar de passar por essas mudanças.
Não vou viver a procura da silhueta perdida, mas também não posso deixar o barco correr, até por fatores que envolvem minha saúde.
Acho que nestes momentos o melhor é estabelecer o que é bom pra mim, e o que é bom pros outros, pra moda, pras revistas, etc. Qualquer atitude é sempre mais difícil quando nossa meta é viver pra demonstrar pros outros algo. É quando somos os nossos maiores algozes.
E nisso retorno a ilustração que me abriu os olhos.
Quando o verão chega, e uma bolsa azul passa a custar R$ 280,00 não quer dizer que ela valha mais agora do que valerá em junho, quer dizer apenas que alguém decidiu que é bom usar azul nessa época do ano, e que muitas pessoas acreditaram nisso. E que estas mesmas pessoas vão achar que em junho chegou a hora de usar marrom. Não sou contra a moda e a beleza, muito pelo contrário, sou uma “perua”. Mas aprendi que posso comprar esta bolsa por R$ 80,00 e usá-la o ano inteiro.E que beleza é muito subjetivo. Minhas composições, minhas idéias, minha moda, faz de mim uma pessoa diferente das outras, ainda que usando a mesma bolsa.
Acho que precisamos aprender a usar tudo que o mundo, a moda, a vida nos oferecem a nosso favor, à nossa maneira.
Não é certo que só porque um grupo de estilistas mudou de opinião a partir deste mês, eu tenha que jogar fora aquela sandalinha que me é tão confortável há anos, pra me equilibrar em uma das que agora estampam as vitrines.
Assim como não é certa essa luta constante em que vivemos, onde sempre é preciso ser mais do que somos para agradar a alguém ou pra fazer parte dos grupos sociais que nos ladeiam.
Não é certo que eu tenha que engolir opiniões, porque elas são contrárias as da maioria e isso me faria ser banida do grupo.
Não é também certo que tudo sempre me seja dado apenas a ser executado, que minhas convicções e divergências não sejam levadas em consideração nem no que diz respeito a mim mesma.
É preciso viver um pouco mais a fusão de idéias, onde eu possa contribuir pra maneira em que vive a minha sociedade. Pra que essa forma de vida não seja imposta por ninguém e assim se torne um fardo pra mim.
E enquanto isso não for possível completamente, que ao menos pra mim, eu possa dizer o que quero, o que gosto.
É preciso criar filhos com mais liberdade, com disciplina, amor e cuidado claro. Mas prezando desde sempre pelo direito maior do ser humano que é o de fazer suas próprias escolhas. Sejam elas simples como a cor da bolsa que usará independente da estação, o manequim que vestirá, a cor que pintará a parede de sua casa, como coisas práticas de seu dia-dia, que profissão escolher, que caminho seguir. Ou seja, tudo aquilo que nos faz indivíduos, aquilo que nos torna impares, ainda que com tantas semelhanças.
É preciso romper com toda e qualquer ditadura, seja ela qual for, fashionista, fascista, imperialista... Todas que segregam, que tornam quem está à margem disso imperfeito, passível de conserto, pois isso dá a idéia de que alguém tem a autoridade para torná-lo certo.
Somos livres, livres e iguais.
Precisamos exercitar nosso bem maior, que é o de discernir entre aquilo que queremos ser e parecer. Para nosso prazer e realização.
Precisamos ter mais compromissos com nossas verdades do que com as verdades dos outros, e para tanto, é preciso conhecê-las.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário