sexta-feira, 22 de junho de 2007

Pouco do que foi dito em Silêncio

Eu tenho uma certa resistência a psicanálise. Não assim do nada, pura e simplesmente. Na realidade eu até gosto de ouvir pessoas, de observá-las por dias, pra ver seus comportamentos, ver em que umas se assemelham a outras, ou que são peculiares embora nada inéditas. Particularidades que fazem dos seres humanos, seres tão fascinantes.
E por curiosidade, fico espiando de longe, vendo situações e casos parecidos, analisando histórias e pessoas sem se conhecimento sem habilitação para isso.
Acredito que seja exercício ilegal da profissão, minha sorte é que faço a distância e meus analisados não podem me denunciar.
Bobagens a parte, acho que faço isso e todo mundo faz, quando por exemplo, começa a supor soluções para problemas alheios, em uma escala bem reduzida estão fazendo.
Mas comigo ultimamente não parece tão inocente, estou em certo modo fazendo uma especialização clandestina, gostando cada vez mais de ouví-lase observá-las. Porém, percebo que esse gosto que contrasta gritantemente com minha aversão a pessoas, tem uma explicação, normalmente me interesso por pessoas que não estejam diretamente ligadas a mim, às outras eu ainda reservo minha impaciência e desinteresse temporários. Que inclusive já foram diagnosticadas por mim mesma, tendo em vista todo o meu embasamento prático e teórico, adquirido ao longo de minhas pesquisas, ou seja, já estou clinicando!
Bom, mas minha resistênci se deve a dois problemas que me vem sendo causados.
O primeiro, a súbita mudança de foco profissional que isso gera. É claro que a princípio pode-se considerar uma ambição tamanha, alguém que pauta seus novos interesses profissionais em um avanço que ela própria julga fazer em uma área tão específica, ainda que aparentemente ciente de seu amadorismo. Mas em todo caso a ambição pode ser considerada um agente propulsor, ela já levou tanta gente pra coisas boas e talvez até melhores, que não chega a ser terrível.
Do outro lado no entanto está o que pode ser considerado como de fato mais importante.
C0meço a ter sempre permeando meus pensamentos diversas vidas. Seus problemas, seus anceios, suas dúvidas, meu primeiro embate na profissão, me envolvi emocionalmente com pacientes, e esse pode ser com certeza um dos maiores erros que se pode cometer. Nesse ponto, ajudar pode-se muito pouco, e a complicação é ainda maior quando começo a me atrapalhar com a confusão formada com tantos sentimentos dentrode uma única cabeça.
Tantas idéias infalíveis, tantos anceios que se mesclam, meus e de minhas vítimas, ops, pacientes, que já me parece arriscado. Os vínculos mais estreitos, ainda que só mentalmente no momento não me atraem. E com isso tudo quero apenas dizer, egoistamente é claro,ou não seria eu, que não quero preocupações além das minhas, não quero me pegar em momentos de reflexão muito abrangentes. Era apenas um passatempo, só isso, uma distração, nada além disso, e agora que está virando minha fixação da vez, tenho que novamente me afastar.
E constatar de novo: Me vicio em hobbys!

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